O impacto do documentário: "Lisboa Domiciliária"
O Sapo destacou um documentário sobre a velhice em Lisboa, Lisboa Domiciliária, que estreia hoje. Uma velhice solitária e confinada a uma casa, muitas vezes degradada. Em que o apoio domiciliário é talvez a única ligação com o mundo lá fora.
Nas minhas deambulações pelas ruas de Lisboa, em 99 e 2000, vi muitos rostos em janelas de prédios antigos. A cidade não é amiga da velhice, isso já me parecia evidente. A velhice quer convívio, companhia. Talvez como em nenhuma outra fase da vida, a não ser a infância, a velhice perde qualidade na solidão de uma casa vazia, onde as fotografias espalhadas pelos móveis não são suficientes para afastar a sensação de abandono.
Por isso, embora tantos de nós concordemos que é preferível manter uma pessoa no seu espaço, o lugar das suas memórias e rotinas, com apoio domiciliário, verificamos que isto é também um risco. E independentemente do risco, não é a situação ideal.
Visualizei aqui o que seria ideal para uma velhice com qualidade, dignidade e satisfação emocional e afectiva. Espaços adequados, e o ideal é que funcionassem essencialmente como aqueles clubes privados que vemos nos filmes ingleses e americanos - cá chamam-se centros de dia. Com pessoal treinado e com o perfil certo, para acolher e animar, desafiar para actividades estimulantes, e onde se organizassem festas, peças de teatro, viagens... Bem, já me entusiasmei...
